Para Onde Vão os Guarda Chuvas é um romance de Afonso Cruz quer nos envolve numa fantástica viagem a um oriente muito heterogéneo.

Para Onde Vão os Guarda Chuvas

Este é um livro que se torna muito difícil de falar pois Afonso Cruz traz-nos uma narrativa metafórica.

O livro tem como cenário um Oriente muito heterogéneo em termos religiosos.

O nosso protagonista – Elahi, é um homem que procura agradar o próximo, é focado na sua família e tenta satisfazer todos os caprichos associados às vontades da sua esposa. Apesar de serem muçulmanos, Elahi, permite que a sua esposa se vista de forma ocidental e não exige o uso da burca por parte dela. A sua esposa encontra-se grávida e mais tarde dá à luz um menino,  quem dão o nome de Salim.

A sua esposa decide abandonar o lar e deixa o filho a cargo do Elahi e da cunhada. Salim cresce e apresenta ter um espirito curioso e divertido, pregando bastantes partidas ao pai e à tia.

Infelizmente Elahi vê o filho a ser assassinado por um grupo de militares americanos e cai num luto profundo. A tristeza é enorme e nada do que faz parece amenizar a dor que sente.

Para combater este luto e encontrar uma solução para sair desta situação, decide criar um anuncio onde informa que irá oferecer toda a sua fortuna e todos os seus bens a quem conseguir dar-lhe uma solução para o luto que está a viver.

Elahi será visitado por imensas pessoas que o aconselham e tentam dar a resolução para o seu problema, mas parece que nada resulta. Surge então um indiano (de religião hindu) que o aconselha a adoptar uma criança de nacionalidade americana, de forma a aprender a amar e perdoar quem lhe roubou a vontade de viver.

Esta ideia, que inicialmente parece pouco aceitável, acaba por fazer sentido para o nosso protagonista. Em troca desta solução o indiano não quer a fortuna de Elahi, quer somente a permissão para se casar com a irmã deste.

Elahi, tenta viajar para os EUA a fim de concretizar esta ideia de adoptar uma criança, infelizmente não consegue o visto de viagem e é em pleno solo nacional que encontra um órfão que nasceu nos EUA e que está a viver nas ruas de Beirute.

Elahi adota esta criança, o Isa que tal como ele é um doce de menino que tenta agradar a todos e que é agradecido todos os dias pela oportunidade que teve de encontrar uma nova família. Isa é cristão e Elahi tenta encontrar junto de um padre orientação para aconselhar o seu mais recente filho a manter a religião que escolheu.

Este é um romance que apesar de ter como cenário o oriente, encontra-se muito globalizado e heterogéneo. Vamos encontrar três religiões num só livro, e apesar de o nosso protagonista ter a sua religião bem vincada, procura sempre aproximar-se dos outros respeitando as suas crenças.

O Isa é de todo o livro a minha personagem preferida, senti uma grande empatia com esta criança. Sente-se tão afortunado com o pouco que tem que nos é impossível ficar indiferentes.

É curioso que enquanto filhos do Elahi, o Isa (filho adoptado) apresentasse mais parecenças com o pai a nível relacional e afetivo. Nem mesmo a sua tia, que lhe fez a vida negra, conseguiu retirar de Isa a parte mais malvada que cada um de nós possui.

O final é um autêntico murro no estômago, impossível de ser esquecido. Quando terminei esta leitura andei alguns dias sem conseguir dizer se tinha gostado ou não do livro. A leitura desta obra não é fácil, e complica ainda mais o esforço que temos de fazer para digerir o final.

Após alguns dias de reflexão e baseando a minha opinião da mensagem que o livro transmite assim como o facto de o final ser algo que não estamos à espera, esta foi uma excelente obra. É difícil de nos conseguirmos desligar dela.

Aconselho esta leitura aos leitores com um gosto peculiar pela linguagem metafórica e que consigam digerir os sentimentos à medida que estes forem aparecendo com o livro.

Boa leitura e boas reflexões!

https://youtube.com/c/abrirolivro/

Fátima Costa

Fátima Costa

Educadora Social, desportista por hobby e leitora por paixão.

Este é um espaço de partilha de opinião acerca das leituras que realizei e que tem como objetivo a estimulação da vossa leitura.

Fátima Costa

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